Crítica - Sicário 2: Dia do Soldado,
- Luik Leão

- 27 de mar. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de mar. de 2019

Dois dos principais nomes do primeiro longa da franquia foram substituídos: Stefano Sollima (série Gomorra) substitui Denis Villeneuve (A Chegada) - atualmente um dos maiores nomes da indústria cinematográfica - e Dariusz Wolski assume a direção de fotografia no lugar do consagrado Roger Deankins (Blade Runner 2049). Apesar das perdas, a permanência de Taylor Sheridan (A Qualquer Custo, Terra Selvagem) no roteiro ajuda o filme a ser coeso com seu universo e não parecer uma continuação inferior ou desconexa.
Na fronteira entre o México, uma série de imigrantes são impedidos de cruzar ilegalmente, até que um deles se revela um “mártir”, após este evento novos ataques terroristas acontecem em solo americano e um grupo Black Ops precisa intervir.
Sicário: Dia do Soldado começa da mesma maneira que o anterior, com cenas violentas que funcionam de estopim para ações à margem da lei realizadas pelo governo. O roteiro, aliás, segue as mesmas batidas narrativas de seu antecessor. Acontecimento impactante, noticiários repercutindo, reunião de emergência entre lideres de governo, e Matt Graver (Josh Brolin) recebe carta branca para sua missão.
Apesar da repetição narrativa, algumas melhoras aparecem, por exemplo, a trama investe mais tempo no Drama de Fronteira, colocando o ponto de vista dos imigrantes ilegais e as dificuldades para entrar em terras estadunidenses. Temos uma melhor conexão para a família mexicana, e uma evolução maior de sua participação na trama central do filme.
No entanto também abre espaço para o maior de seus deslizes, que já fora cometido no antecessor, o fim da dualidade. O questionamento de “os fins justificam os meios?” ou até mesmo “quem é o bom e o mau dessa história?”, não existe aqui, algo que ocorre no ato final do primeiro longa.
Assumir uma continuação do trabalho de Denis Villeneuve é um trabalho difícil, pois o diretor enraizou sua assinatura em Sicário: Terra Ninguém. Stefano Sollima faz o certo ao não tentar inventar a roda e mudar tudo para deixar com a sua cara, ele opta por manter os belos movimentos de câmera, o uso de tomadas aéreas, a mesma forma de enquadrar os helicópteros, e até mesmo a trilha sonora. A violência utilizada por ele é menos gráfica (não temos tanto sangue e corpos), mas não deixa de ser pesada, é incomodo ver a cena de um ataque terrorista como o retratado aqui. Embora sejam menos impactantes, são boas.
A cinematografia remete os tons amarelo desbotado, o clima seco e muita poeira, paisagens desérticas e um bom uso do escuro para a criação de tensão. Mas as belas imagens ao por-do-sol criadas por Roger Deakins fazem falta, assim como as composições com luz natural e os belos planos de silhuetas.
Josh Brolin novamente entrega uma bela atuação, mas a evolução do personagem não é satisfatória. Se em Terra de Ninguém o seu Matt Graver tem o controle da situação e sabe exatamente o que fazer, além de demonstrar gostar do seu trabalho, este lado de aproveitar a violência fica de fora do filme, como se algo tivesse acontecido e o personagem ficou mais duro.
Benício Del Toro evolui o seu Alejandro deixando-o muito mais emocional, o lado paternal e o protetor fica mais evidente, mas sem deixar de ser amedrontador quando necessário, além de a todo momento ser capaz de sentir que o homem em cena está quebrado de alguma forma, é a melhor atuação e o melhor personagem.
No elenco jovem temos Isabela Moner, ela dá vida a Isabel filha de um líder de um Cartel mexicano, e se sai bem em todo o filme, a relação dela com outra personagem é bem funcional e se torna comovente depois de determinado acontecimento, em uma de suas melhores cenas ela consegue se impôr diante de uma pessoa mais velha de maneira instantânea, fazendo com que o público goste de sua personagem.
Por fim, o filme encerra com uma cena que abre a possibilidade de uma nova continuação, e consegue deixar a vontade de querer ver onde aquela história vai terminar.
Sicário: Dia do Soldado é um bom thriller de ação, com boas atuações e uma história tensa filmada de maneira crua e realista, mas que perde qualidade em relação a seu antecessor, apesar dos deslizes vale o ingresso.
Originalmente publicado em: https://www.loucosporfilmes.net/2018/06/critica-2-sicario-dia-do-soldado.html



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