Crítica | Histórias de Terror Para Contar no Escuro.
- Luik Leão

- 15 de set. de 2019
- 3 min de leitura

Em meados do fim da década de 1960 o longa se situa na pequena cidade de Mill Valley com uma lenda que resiste ao tempo, a mansão mal assombrada da família Bellows abrigou escondida no porão uma mulher que contava histórias de terror para crianças e logo depois elas desapareciam.
Baseado na série de livros de mesmo nome e produzido pelo vencedor do Oscar Guilhermo Del Toro, não encontra muito bem o público que vai servir, mas adapta bem uma história de terror repleta de elementos clássicos. É importante frisar que embora o nome de Guilhermo Del Toro seja utilizado para promover o longa, trata-se de um filme dirigido por outro diretor, André Ovredal (O Caçador de Troll e A Autópsia).
Ovredal encontra na dinâmica dos personagens o ponto mais positivo da obra, o espírito de companheirismo e camaradagem mostrado em cena parece real, a maneira como planejam suas pegadinhas de Halloween para revidar o bully sofrido por anos, as piadas que rolam entre si, tudo parece se encaixar nos minutos inicias, o timing cômico é bom, as cenas dentro da casa são boas, até a montagem de cenas iniciais são satisfatórias. Ovredal consegue equilibrar o que seriam os clichês de gênero, para montar uma história de fácil identificação com público, como diz o título, são histórias assustadores para se contar no escuro ou até mesmo envolta de um fogueira com os amigos ao lado.
A construção do primeiro ato é consistente ao investir no bom humor para apresentar os personagens ao público, a parte inicial encontra problemas no casal de protagonistas e em seu tom, o longa apresenta uma história de amizade e um tom de terror mais leve, como se tentasse atingir o público um público mais jovem, isso não é um demérito se o mesmo tom se mantivesse no restante da obra. Ainda no primeiro ato, a obra conclui bem ao dar peso para os problemas apresentados em cena, mas ainda sem verdadeiramente chocar o público, isso acontece apenas no segundo ato.
O trecho mais longo do filme não consegue desenvolver bem o casal e os problemas de diálogos começam a surgir, entretanto a história consegue se manter forte ao trazer consequências maiores para as ações das histórias contadas. Os personagens perdem um pouco de seu humor, mas a obra converte isso para algumas ações dos personagens, sabendo dosar a hora de assustar e de desarmar o público.
Nesse segmento do filme, fica mais claro o desequilíbrio no terror apresentado, duas "mortes" ocorrem nesse trecho, uma extremamente assustadora e outra que parece infantil, como se pertencessem a filmes diferentes, enquanto a primeira demonstra agonia e desespero nos personagens, a segunda tenta gerar a mesma sensação de medo da anterior, mas é cansativa e e conclui sem muito impacto, muito disso pelo fato do monstro ser risível.
Nos aspectos técnicos o longa é bem decente, a fotografia é um pouco escura em alguns momentos, mas consegue emular a época em que a história se situa, assim como a direção de arte. Boa parte dos monstros apresentados são legais e os efeitos especiais são decentes, nada que tire o espectador de dentro da realidade proposta pelo longa.
As atuações são medianas, o destaque fica por conta de Zoe Margaret Colletti (Stella), na medida do possível ela consegue entregar uma personagem curiosa e inteligente. Michael Garga (Rámon Morales) tem uma boa cena em que ele precisa se impôr, mas seu personagem precisava ser melhor trabalhado no roteiro, porém a justificativa para o ar misterioso empregado a seu papel é aceitável. Austin Zajur (Chuck) funciona como alívio cômico e a dinâmica entre ele e Gabriel Rush (Auggie) é interessante.
Histórias Assustadoras Para se Contar no Escuro não sabe muito bem a faixa etária que vai atingir, mas conta bem uma história de terror para um público jovem e cheia de caracteristicas clássicas do cinema de horror.



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