Crítica - Era uma vez um Deadpool.
- Luik Leão

- 27 de mar. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 28 de mar. de 2019

Quando aquela pequena cena de Deadppol pulando de uma ponte e cortando cabeças de bandidos vazou na internet, não demorou muito tempo para os fãs do personagem cobracem dos estúdios fox uma adaptação que fosse naqueles moldes. Ryan Reynolds que vive o Mercenário tagarela nas telas de cinema foi um dos fãs que brigaram pela maioridade do longa, Reynolds brigou com alguns produtores de Hollywood e chegou a se tornar um dos produtores do longa, visando ter um pouco de controle criativo, tudo isso para impedir que Deadpool fosse lançado com uma classificação para menores de 12 anos, o famoso PG-13. Bom, Deadpool 2 chegou aos cinemas em maio, Reynolds continua vivendo o anti-herói, mas agora em dezembro o filme foi relançado em sua versão menos violenta visando atingir um público mais jovem.
Em Era Uma Vez Um Deadpool, a trama do segunda longa do mercenário segue intacta, mas agora recebe inserções de Fred Savage (A Princesa Prometida e Anos Incríveis), que fora sequestrado por Deadpool para ouvi-lo contar os três atos de seu filme e recriar A Princesa Prometida (1987), um clássico da sessão da tarde dono de uma das melhores frases do cinema, que se você não viu, você não tem coração.
Como o longa é exatamente o mesmo lançado em Maio, o trabalho é praticamente de edição, e é basicamente o que diferencia essa versão da original, a equipe precisa se desdobrar para retirar alguns enquadramentos, inserir novos, limpar um pouco as cenas, ou seja, tirar a violência gráfica responsável por uma boa dose da diversão do filme. A legenda também sofre algumas alterações mudando alguns termos, algumas frases do personagem parecem ter sido regravadas, mas o enredo é o mesmo.
O trabalho é até funcional, mas vemos que Deadpool é um personagem que necessita da violência e dos palavrões como forma de narrativa, as cenas editadas para serem mais sutis retiram o absurdo presente no cerne da personagem. A cena em que Wade revive dentro da prisão é dilacerada para um único enquadramento meio desfocado do personagem sem vida, quando na versão original a graça está em como ele morreu e não em como ele reviveu.
Outro ponto negativo da versão está na cena de Kolosus e um dos vilões que é confusa e não demonstra solução, as coisas acontecem por acontecer, e terminam pois precisam terminar. Se a presença deste vilão é quase descartável no original, aqui se torna ainda mais avulsa a trama.
O longa consegue diminuir a faixa etária, mas perde equilíbrio e não sabe exatamente qual público deve atingir, se parece com um adulto boca suja tentando segurar os palavrões na frente de uma criança de 6 anos, mas que na verdade está tentando conversar com uma de dez.
Se você já assistiu Deadpool 2, Era Uma Vez Um Deadpool não é para você a menos que queira rever o Mercenário Tagarela em tela grande. Se você não viu a versão original, será divertido e você pode até levar algum priminho de menos de 18 anos, mas sem dúvidas a versão estendida e para maiores do longa é melhor.



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