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Crítica - Buscando...

  • Foto do escritor: Luik Leão
    Luik Leão
  • 27 de mar. de 2019
  • 3 min de leitura

Dirigido por Aneesh Chaganty, o filme se utiliza da mesma estética presente em Amizade Desfeita (2014), também a mesma do curta-metragem Noah (2013), o “Mock-Screen”, aquele em que toda a ação acontece na tela do computador. Aneesh dá um ótimo passo para o estilo ao trazer algo que seus antecessores estéticos não obteram exito, Buscando... tem emoções. Mesmo que exista uma tela de separação entre a ação e a vida das personagens, é agoniante ver o desespero de David Kim (John Cho) e da Policial Vick (Debra Messing) diante das descobertas da investigação.


A história do longa é bem simples. Depois de conversar perder uma chamada de vídeo de sua filha Margot (Michelle La), David Kim tenta descobrir o paradeiro da jovem, até ligar para a policia e iniciar uma investigação para sobre o seu desaparecimento.


Embora o roteiro não seja dos mais inovadores, sua estrutura segue a mesma episódio de séries criminais como Without a Trace. Uma pista nova é descoberta, as horas vão passando, a policia começa a ficar sem tempo, as noticias não são animadoras, o primeiro suspeito é encontrado e por ai vai, ainda resta ao público a surpresa de como a história vai se encerrar.


Se a história parece meio batida, a forma como ela é contada não segue a mesma previsibilidade, a opção do longa de se passar em telas de computador, ajudam e muito na construção de tensão, mesmo que algumas vezes o longa “roube” um pouco, ao exibir imagens de telejornais na tela do computador, é bem interessante observar as soluções encontradas para manter a ação no ambiente de desktop.


O trabalho de direção é impressionante, os créditos iniciais já dão os tons do longa, e mostram a qualidade que o filme ostentará até o final. Tudo começa com a tela de um Windows XP iniciando, e aos poucos aquele ambiente vai ganhando vida ao receber fotos e vídeos de uma família feliz, vemos os primeiros passos de Margot na internet, ela tocando piano, sua mãe cozinhando, seus pais levando ela a escola no primeiro dia de aula. Nem uma frase é dita nos minutos iniciais, vemos apenas a evolução das personagens do filme atraves de uma série de vídeos e fotografias. Existe uma daquelas regras não escritas do cinema que diz “Não me conte. Me mostre”, e Aneesh Chaganty a segue com afinco nos primeiros minutos.


Edição e montagem são também muito boas, acelerando a trama nos momentos necessários criando bastante apreensão ao público, e também fica mais cadenciada nas horas em que a David se entrega, ou descobre mais sobre sua filha. A equipe de edição tem um trabalho a mais ao precisar traduzir para diversas línguas o que está em tela. Embora o longa seja legendado, a tela do computador está toda em português facilitando bastante para o público a compreensão e ajuda na hora de por o expectador dentro de um ambiente que já está familiarizado.


A trilha sonora assim como o roteiro não trás surpresas, mas é serve bem seu proposito e ajuda na ambientação.

John Cho vive o protagonista David Kim, e ele aguenta a pressão de ter que carregar um filme como Buscando..., David é um daqueles caras que merece o prêmio de Pai do Ano a primeira vista, mas aos poucos vemos as diversas camadas de seu personagem e a forma como ele esconde de sua filha a dor de um trauma do passado. A relação de David Kim com sua filha Margot é linda, e o que vemos em cena é aquela frase que nossos pais dizem “Mesmo com 30 anos, você sempre será minha criança”.


Debra Messing tem a difícil missão de viver a Detetive Vick, responsável por investigar do desaparecimento da jovem Margot. Messing tem a difícil tarefa de ser o ponto de apoio de David, mas que precisa manter-se mais profissional dentro da investigação. Sua personagem tem ao menos duas cenas que exigem um pouco mais de sua performance, e em apenas uma delas é convincente, mas a atriz se esforça e no fim o resultado é mais positivo.


Michelle La tem pouco tempo de cena e em sua cena principal ela consegue demonstrar seu peso emocional ao expectador.


Buscando... é um daqueles filmes que acerta ao fazer muito com pouco, pois embora sua trama não seja inovadora e siga caminhos previsíveis, a construção da ação e a direção fazem o resultado ser satisfatório e uma grata surpresa do ano.

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