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Crítica - Aniquilação

  • Foto do escritor: Luik Leão
    Luik Leão
  • 27 de mar. de 2019
  • 3 min de leitura

Alex Garland foi roteirista de bons filmes de ficção cientifica, como 28 Days Later, Sunshine, e do indie Never let me go, ele também tem como seu filme de estréia na direção o excelente Ex_Machina de 2014, sendo assim a expectativa para seu novo trabalho era grande, e é seguro dizer que ele não decepcionou.


Depois de um ano desaparecido, Kane (Oscar Isaac) retorna mudado de uma missão secreta, quando ele fica doente sua esposa Leda (Natalie Portman), tenta leva-lo a um hospital, e é convida a participar de uma missão suícida em um local chamado de O Brilho, uma área que surgiu após a queda de um meteoro e que quem entrou, jamais saiu, a exceção de Kane.


Envolto no mesmo clima de mau presságio presente em seu primeiro filme, Alex não está muito interessado se você vai entender ou não sua mensagem, mas não abre mão de ter uma em seu filme. Algumas pistas são dadas, uma teoria aqui, outra ali, um diálogo sútil que nos diz mais sobre o motivo de todas aquelas mulheres aceitarem a missão, mas nada é enfatizado como “é sobre isso que o filme fala”. Mesmo assim é possível enxergar a autodestruição e a depressão como dois temas muito fortes na trama, pois de alguma forma, todas as personagens estão quebradas e sofrem com um, ou ambos os problemas.


Já no campo visual, quando dentro do Brilho, o filme se utiliza de cores saturadas capazes de criar um contraste com a real personalidade de suas personagens. Tudo dentro do Brilho se parece com uma mutação, algo como uma erva daninha que cresce e espalha suas raízes junto das outras flores e plantas, e apesar de ser “estranho”, é capaz também de gerar um senso de beleza. O design de som faz um trabalho impressionante de imersão, tudo tem um ruído muito próprio, tudo dentro do Brilho parece alienígena e ao mesmo tempo belo. A fotografia também faz questão de mostrar encantadoras composições visuais do local, e quando não estamos na região misteriosa, tudo é um pouco menos sem vida, com mais sombras e menos cores.


Apesar de ser uma ficção cientifica e suas cores vibrantes, Aniquilação flerta com o cinema de horror, principalmente nos momentos em que as criaturas presentes no local resolvem, ou que sugerem suas existências, não são muitas as vezes, mas sempre que mencionadas ou avistadas, são capazes de criar uma apreensão digna de filmes de terror.


O filme se utiliza de uma edição não-linear, migrando entre três momentos. A missão dentro d’O Brilho, o interrogatório de Leda pós-missão, e a vida da personagem enquanto seu marido estava desaparecido, tudo parece muito bem dividido, e as escolhas da direção de fotografia, ajudam o expectador a ter discernimento do que é passado, presente e futuro.


A direção de atores também é um ponto forte da produção, Natalie Portman convence como esposa vivendo o luto, professora de biologia e ex-militar. Tessa Thompson, Tuva Novotny e Gina Rodriguez também entregam ótimas interpretações, mas Jennifer Jason Leigh parece entregar uma camada a mais a personagem, além de ter uma importância maior na trama.


O trecho final do filme é o que depende mais dos efeitos visuais, e eles não são tão bons quanto dos dois trechos anteriores, mas é nele que esperamos obter as respostas para tudo que vimos, e é aí que o talento narrativo de seu diretor/roteirista se sobressai, com diálogos, cenas e ao menos duas grandes reviravoltas, o filme contorce o cérebro de seu público e planta mais dúvidas do que certezas, e como uma boa ficção cientifica, é capaz de te prender por horas ou dias, teorizando e pensando nos pensamentos filosóficos ali apresentados.


Alex Garland mostra em seu segundo filme que não tem receio de como eles vão soar ao público, se mostrando mais interessado em fazer com que sejam bons filmes, e ele acerta novamente, tanto em aspectos visuais, quanto narrativos. Aniquilação é um filme que merecia ser visto em tela grande, com o melhor som possível, mas talvez a sua ida para a plataforma de streaming, seja a maneira mais assertiva dele encontrar o seu público.

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