6:00 a.m.
- Luik Leão

- 28 de mar. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 6 de jul. de 2019

- São seis horas da manhã e cá estou. Nada mais normal, as seis da manhã o sujeito perdido entre dúvidas e desafios diários, somados a solidão de viver em uma cidade repleta de pessoas vazias, multiplicado pela sensação de estar decepcionando a todos, sejam amigos, animais ou familiares. Está silêncio aqui, a horas nem mesmo o som de pássaros ou carros na rua fazem questão de me visitar, sou só eu, eu mesmo, meu deus e a luz que me ilumina, verdade já fraca, tão desesperançosa quanto eu. De onde vim ter sonhos não os fazem reais, ter desejos não significa necessidade.
- São seis horas da manhã e cá estou. Mais uma noite não dormida, mais uma conversa com o Word. Como vai velho amigo? Do lado de cá não tá tão bem não. Hoje mesmo ouvi aquela música, Teatro dos Vampiros, me senti representada. O lado positivo, apesar da insônia e dos dois ataques de ansiedade a tristeza passou ao conversar com você.
- São seis da manhã e cá estou. Tento imaginar que do outro lado desse cinza deve haver alguém, tão triste quanto eu, tão só quanto eu, pensando ser a última pessoa acordada, conversando com o word da mesma forma que eu. Ei, garota? Está me ouvindo? Me chamo Rafael, também estou acordado, não se sinta só.
- São seis da manhã e cá estou. Se por um lado estar sozinha é bom pelo silêncio para ouvir meus pensamentos, por outro é exatamente isso que me faz tão mal, as vezes só quero uma solução para não me ouvir pensando, as vezes só quero saber que do outro lado desse cinza há alguém me imaginando, querendo me confortar, querendo me salvar, resgatar de viver tão intensamente solidão e desilusão, alguém capaz de me ensinar quem sabe me apresentar, felicidade e esperança.
- São seis da manhã e cá estou. Procuro a anos um remédio para desligar o cérebro, deixar o dinheiro, a dívida, a necessidade de me provar capaz, lá pra quem já acordou e encontrar apenas uma canção sutil, um cupcake de chocolate e ELA, mesmo ELA não sendo exatamente uma pessoa física, alguém que conheço, mesmo sabendo se não exista, mesmo não sabendo quem seja ela.
- São seis da manhã. Quem dera eu ter um remédio para desligar os pensamentos, apenas dormir e sonhar, nós encontrar, eu e ELE, ele e eu. Nos perder em alguém lugar com luzes à beira mar, ouvindo o som das ondas e a música mais perfeita. Uma pena, de onde venho ter sonhos não os fazem reais e ter desejos não significam necessidade.
- São seis da manhã. Daqui a pouco vou sair, contribuir com gado diário, já imagino minha cabeça na janela do ônibus relembrando como foi não dormir pensando em fazer algo grandioso, querendo viver de verdade, e estando preso hora no trânsito, hora na cama.
- São seis da manhã. Em quinze minutos vou lhe deixar meu amigo, preciso contribuir com as contas aqui em casa, em vinte minutos estarei sentada no ônibus com a cabeça pesada, não de sono, mas de incertezas e certezas de que naquele momento estou indo fazer a coisa errada.
- São seis da manhã. Em três minutos estarei no elevador, no terceiro andar uma mulher entrará, tão jovem quanto eu, com um sorriso de dentes pálidos e lábios finos, se ELA fosse ela, eu não me sentiria tão só. Se ELA fosse ela…
- São seis da manhã. Em um minuto estarei no elevador, nele estará um homem de postura ereta, não sorri, parece sério, todos os dias ouve a mesma canção, Teatro dos Vampiros, todo dia compreendo a música de maneira diferente, depois de duas semanas a escutando já reconheço até sua sequência de acordes. Não, não me diga para falar com ele, odeio essa sensação tão rotineira para mim de estar decepcionando a todos, sejam amigos ou familiares, não quero decepcionar você também meu amigo.
- São seis da manhã. Ainda não conheço ELA, ainda não sei como parar de decepcionar as pessoas, ainda não sei como dormir e ainda não sei como parar me decepcionar. De alguma forma, procuro em músicas repostas que minha mente não é capaz de solucionar, e que acredito que estou longe de encontrar.
Quero sair, mas não tenho dinheiro, meus amigos todos estão procurando emprego. ☊



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